terça-feira, 9 de outubro de 2012

Interação missionária entre o "dar e receber"



"O reconhecimento de que havia recebido mais do que o suficiente e tinha abundância de tudo."

“Recebi tudo, e o que tenho é mais que suficiente. Estou amplamente suprido, agora que recebi de Epafrodito os donativos que vocês enviaram. São uma oferta de aroma suave, um sacrifício aceitável e agradável a Deus". Fp 4.18

Continuando seu discurso sobre a interação missionária entre o “dar e receber” (graça-missão de Deus), Paulo toca agora em outras dimensões importantes do relacionamento que mantinha com a igreja dos filipenses.

Inicialmente ele presta conta devidamente do recebimento dos donativos enviados pela igreja pelas mãos de Epafrodito (2.25-30). Confirma por duas vezes que havia recebido tudo (gr: apéchô de panta) o que a igreja lhe enviara (gr: dedámenos pará Epafrodítou ta par humôn). O apóstolo reconhecia a importância de prestar um relatório, não só de suas atividades ministeriais e missionárias (At 14.26-27), mas também dos recursos recebidos. Atualmente, como na época de paulo também, é muito importante que haja uma completa transparência, fidelidade e confiança no trato com os recursos destinados pelas igrejas para a manutenção e para o desenvolvimento da obra missionária no mundo. Esta área financeira tem sido um dos elementos mais problemáticos tanto no relacionamento missionário-igreja, como para a credibilidade da mensagem dos evangélicos no mundo de hoje.

Outra dimensão mencionada por Paulo foi o reconhecimento de que havia recebido mais do que o suficiente (gr: perisseúô) e tinha abundância de tudo. Reconhece que com os donativos da igreja em Filipos estava amplamente suprido (gr: peplêrômai). É muito educativa, para o relacionamento dos missionários com as igrejas, a forma como o apóstolo se relaciona com os bens enviados, reconhecendo que tinha mais do que o suficiente. Ele não camuflou esse dado, nem deu a entender que estava agradecido pela oferta mas que ainda precisava de algo mais. Seu sentimento de simplicidade, contentamento e de gratidão foram realmente sinceros e verdadeiros, pois sabia que aqueles donativos dados por Deus através de irmãos pobres que também lutavam pela sua sobrevivência. Portanto, esses sentimentos de simplicidade, contentamento e gratidão foram sinceros tanto em Paulo como nos irmãos filipenses.

Por fim, o apóstolo reconhece que aqueles donativos eram um reflexo da graça-missão de Deus tanto em sua vida, como na dos filipenses. Eram uma oferta de aroma suave, um sacrifício aceitável e agradável a Deus (gr: osmên euôdías thusían euáreston tô theô). Paulo sabia muito bem que Deus não o desampararia na prisão romana, nem desampararia os irmãos de Filipos. A graça de Deus estava aberta aos dois. Por isso, aquela oferta era mais valiosa que seu valor monetário, deveria ser considerada como um sacrifício aceitável a Deus oferecido pelos filipenses e por Paulo como resposta de ambos à graça-missão de Deus em suas vidas. Dessa forma, Paulo nos ajuda a compreender que todos os recursos materiais e físicos devem ser, de fato, consagrados a Deus e usados com sabedoria de acordo com a vontade de Deus, tanto pelas igrejas e seus membros, como pelos missionários.

Rev. Carlos del Pino
Fonte: 
APMT
Via http://www.sepal.org.br

domingo, 7 de outubro de 2012

O que a Igreja tem para fazer Missões


Rev.Paulo Serafim de Souza

Texto: Atos 1.6-8

INTRODUÇÃO:
Quando o evangelho chega a um povo não alcançado, a indagação dos primeiros convertidos é quase sempre a mesma: Por que não nos trouxeram esta boa notícia antes? Como ficarão nossos antepassados que morreram sem ouvir da salvação em Cristo? A igreja não pode demorar a ouvir o clamor dos que jazem sem o evangelho de Cristo. Deus quer alcançar os povos da terra com o evangelho e os povos precisam desesperadamente da graça salvadora de Deus no evangelho de Cristo. A igreja é agência de Deus aqui na terra para a concretização do seu propósito salvador em direção aos povos. É ela quem deve fazer missões, porque missões é o trabalho de Deus através da igreja para trazer o homem à comunhão com ele através de Jesus Cristo.  Foi para essa prioridade que Jesus chamou a atenção dos seus discípulos no texto em questão.
Os discípulos queriam saber do futuro e das coisas não reveladas. Não foi esta aprimeira vez que eles perguntaram a Jesus o que estava por vir e, como das outras vezes, o Senhor não lhes deu resposta. Em vez disso, Jesus lhes focalizou aatenção para a missão atual. O futuro está nas mãos de Deus, e não lhes competia saber o que o futuro lhes traria, pelo menos não em minúcias. Eles tinham que concentrar suas energias na grande tarefa que lhes fora dada: fazer discípulos de Jesus de todos os povos da terra, ou seja, serem suas testemunhas “até os confins da terra”. Pensando nisso, eu te desafio a pensar comigo sobre o tema: O que a igreja tem para fazer missões? Primeiro, ela tem o Espírito Santo.

I – O ESPÍRITO SANTO (V.8)
O Espírito Santo é um Espírito missionário e ele é o maior recurso que a igreja tem para fazer missões. Ele é o próprio Deus presente na vida da igreja para conceder poder, dons e abrir os corações dos incrédulos para o evangelho. Lucas, que escreveu o evangelho que leva o seu nome e o livro de Atos, já havia registrado a recomendação de Jesus aos seus discípulos que não saissem de Jerusalém até que do alto fossem revistidos de poder, ou seja, eles não poderiam fazer missões sem a descida definitiva do Espírito Santo que ocorreu no dia de Pentecostes.
Com a descida do Espírito Santo, os discípulos foram capacitados com o seu poder para darem testemunho ousado da morte e da ressurreição de Cristo. Homens tímidos e de pequena fé, agora capacitados pelo Espírito Santo tinham grande coragem para falarem das maravilhas de Deus, estando dispostos a sofrer e a morrer por causa de Cristo. No primeiro sermão do apóstolo Pedro após estar cheio do Espírito Santo, cerca de três mil pessoas foram tocadas por Deus e aceitaram o evangelho. Em todo livro de Atos vemos a ação do Espírito Santo salvando, chamando e capacitando a igreja para aobra missionária. Aliás, alguém já disse que o livro de Atos poderia muito bem se chamar: Atos do Espírito Santo por intermédio dos apóstolos.
O Espírito tem um papel fundamental em missões. Ele enche a igreja de poder, concede dons espirituais, chama pessoas para missões como Paulo e Barnabé, além de agir na vida dos incrédulos, convencendo-os do pecado, da justiça e do juízo. É somente pela ação do Espírito que uma pessoa pode entender e aceitar o evangelho da salvação em Cristo Jesus. O novo nascimento, é uma obra do Espírito como bem falou Jesus a Nicodemos. Não podemos jamais desprezar a ação do Espírito na obra missionária. Percebo dois extremos perigosos com relação a pessoa do Espírito Santo: Os pentecostais tendem a exaltar sua pessoa em detrimento das demais pessoas da Trindade e as igrejas históricas, como a Presbiteriana, tendem a desconsiderar a sua atuação em detrimento do seu caráter divino. O maior recurso de Deus para missões não são homens eloqüentes, não são a estrutura e o dinheiro da igreja, mas o Espírito Santo que age em nós e através de nós.
Quando formos planejar um trabalho missionário, não fiquemos primeiro pensando quantas pessoas temos, quanto recursos temos, quanta estrututra temos, mas busquemos o poder, o auxílio e a direção do Espírito Santo. Façamos como os irmãos moravianos que mantiveram uma reunião de oração por cem anos ininterruptos, conseguindo enviar missionários para várias partes do mundo. Façamos como Jesus que antes de começar o seu ministério terreno foi conduzido pelo Espírito para o deserto para orar e jejuar a fim de resistir às terríveis tentações do inimigo. Façamos como a igreja primitiva que perseverava em oração enquanto era revestida pelo poder do Espírito Santo para pregar a Palavra de Deus com toda intrepidez. Façamos como apóstolo Paulo que escreveu: “Não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito Santo”. Que a nossa igreja busque o poder do Espírito para fazer missões. Você pode dizer amém em concordância coma essa grande verdade bíblica. Amém!
Além do Espírito Santo,outro recurso que a igreja tem para fazer missões são as testemunhas de Jesus.

II – TESTEMUNHAS DE JESUS (V.8)
Os métodos de Deus são homens, mais precisamente são testemunhas de Jesus, pessoas que foram lavadas e redimidas pelo sangue do Cordeiro, que tiveram uma experiência pessoal com Jesus e que agora pelo poder do Espírito podem dar testemunho do que creram, sentiram e experimentaram de Jesus na sua vida pessoal. “Vós sereis minhas testemunhas”. Começa a missão, a evangelização para a construçãodo corpo de Cristo. Para isso há necessidade de “poder”. Porém não basta o poder do intelecto, da vontade humana, da retórica. “Poder do Espírito que desce sobre a igreja: somente por meio dele que é possível realizar a tarefa missionária. Com ele, os apóstolos e nós somos as “testemunhas” eficazes de Jesus.
Ele nos transforma em testemunhas. Conhecemos o termo “testemunha” do linguajar jurídico. Num processo judicial são interrogadas as testemunhas. Não lhes cabe externar sua opinião, nem relatar seus pensamentos, mas – exatamente como fazem os apóstolos – “falar das coisas que viram e ouviram”. As testemunhas estabelecem o que aconteceu na realidade. Por isso agora os apóstolos, já podiam ser testemunhas de Jesus. No entanto, como se trata de realidades invisíveis, divinas, não bastam todos os testemunhos humanos para convencer o próximo dos fatos. Somente o poder do Espírito Santo pode atestar o testemunho de Jesus de forma que atinja a consciência da pessoa e ela creia ou se rebele contra a verdade, que já não pode ser negada. O termo grego para “testemunha” =“martys” nos lembra que justamente esse testemunho que atinge o coração é que conduz os mensageiros ao sofrimento, e ele somente pode ser prestado mediante o sofrimento.
Nem todos foram chamados para serem missionários em Guiné-Bissau, nem todos foram chamados para serem pastores ou músicos, mas todos os crentes foram chamados por Jesus para serem suas testemunhas. O privilégio e o desafio de dar testemunho de Jesus são para todos crentes que foram salvos por ele. Portanto, onde você está, foi colocado por Jesus para dar testemunho dele: no seu trabalho, na sua escola e na sua família. Veja como Deus é bom: coloca você no seu trabalho para testemunhar dele e ainda permite que você ganhe o sustento para sua família e para o sustento da obra missionária.
Querido irmão, saiba de uma coisa: Antes de você ser um médico, um advogado, um enfermeiro, uma professora, um pedreiro, uma dona de casa ou um estudante, você é uma testemunha de Cristo. Você não trabalha onde trabalha só para ganhar dinheiro; você não estuda onde estuda só para adquirir conhecimentos; você não mora onde mora só para viver. Mas, principalmente para testemunhar de Cristo às pessoas com quem convive no trabalho, na escola e na vizinhança. Será que temos essa consciência? Os pais querem que seus filhos sejam médicos, advogados e engenheiros. Isso é uma coisa boa. O problema é que, às vezes, se esquecem de inculcar na cabeça dos seus filhos que antes de tudo eles são testemunhas de Jesus.  É preciso enfatizar essa missão de Deus para nós desde cedo. Temos procurado fazer isso com os nossos filhos. Sempre perguntamos para eles: vocês já falaram para os amigos sobre Jesus, já convidaram para ir à escola dominical?
Como testemunha de Jesus você deve se envolver de forma direta e indireta com missões. De forma direta você deve testemunhar de Jesus com sua vida e com suas palavras para seus amigos e vizinhos, entregar folhetos, Bíblias e literatura cristã, visitar hospitais e cadeias, etc. De forma indireta você pode orar pelos missionários, escrever para eles, informar-se do trabalho missionário no mundo, participar de conferências missionárias, ser fiel nos dízimos e generoso nas ofertas missionárias para que a igreja tenha sempre recursos para investir na evangelização do Brasil e de lugares distantes. 
Por mais que vivamos no mundo da tecnologia e do desenvolvimento científico: internet, celular, vôos espaciais, etc., Deus ainda prefere usar uma pessoa como testemunha para falar diretamente para outra, portanto, a evangelização pessoal, o discipulado, o evangelismo através de relacionamentos ainda é o grande método de Deus para o avanço da obra missionária. Podemos e devemos usar a tecnologia disponível, mas ela jamais pode substituir o contato pessoal, o relacionamento, o evangelismo de pessoa para pessoa, ao vivo e a cores. Igreja é relacionamento: com Deus e com pessoas. Missões também! Por isso, precisamos investir tempo e dinheiro em pessoas.
Temos muito que agradecer a Deus porque ele tem dado as suas testemunhas que o servem na IPB, dons, talentos, oportunidades, boa formação bíblica e profissional, boa estrutura e recursos abundantes que precisam ser canalizados para a obra missionária. Precisamos entender que tudo que Deus nos dá é para ser usado para glória dele e expansão do seu reino aqui na terra e não só para o nosso deleite pessoal. O Brasil foi ricamente abençoado pela igreja americana que enviou seus melhores homens e mulheres: pastores, médicos e professores, além de enorme quantidade de recursos financeiros para a plantação de igrejas, fundação de seminários, hospitais, escolas e universidades. Eles entenderam seu papel como testemunhas de Jesus. Agora é a nossa vez, é a vez da sua igreja, é a vez da IPB ser uma testemunha de Jesus para o mundo.
Já vimos que a igreja tem para fazer missões o Espírito Santo, as testemunhas de Jesus e também a visão missionária de Jesus.

III – A VISÃO MISSIONÁRIA DE JESUS (V.8)
O campo da igreja, ou seja, sua esfera de atuação é o mundo porque a ordem de Jesus tem um escopo universal. Partindo de Jerusalém, os discípulos deveriam sair até os confins da terra. Estas palavras contêm o corretivo para a pergunta individualista dos apóstolos no v. 6, embora se possa duvidar que eles tenham entendido dessa maneira na época. O nacionalismo judaico da igreja primitiva demorou muito a morrer. Todavia, à época em que Lucas estava escrevendo, esse nacionalismo extremado em grande parte já era coisa do passado, e a frase "até os confins da terra" havia assumido sentido mais amplo. Abrangia agora o império romano, representado pela própria Roma e, nessa base, Lucas adotou o programa resumido nesse versículo como estrutura de sua narrativa. Jerusalém– Judéia – Samaria – todo o mundo. Durante longos capítulos ele nos manterá em Jerusalém; depois ele passa ao grande avivamento na Samaria, e, na seqüência, à conversão de Paulo, com o qual viajaremos até Roma.
Jesus abriu os olhos dos discípulos para que pensassem não em termos particulares (Israel), mas em termos universais (“até os confins da terra”). Ainda hoje a igreja tende a pensar em missões, em termos particulares (aumentar seu número de membros ou abrir uma congregação em outro bairro da cidade). Ela deve pensar nisso, mas não somente nisso, seu campo não é apenas sua cidade, mas o mundo. Por muito tempo, por má interpretação do texto em questão a igreja brasileira pensou cronologicamente e não simultaneamente. Ela pensou: primeiro vamos evangelizar Jerusalém (nossa cidade), depois vamos evangelizar a Judéia (nosso estado), depois vamos evangelizar Samaria (nosso país) e depois vamos evangelizar os confins da terra (o mundo). Porém, o texto não dá base para essa ideia. Jesus disse que a igreja deve ser testemunha dele tanto aqui quanto em outros lugares ao mesmo tempo.
A igreja de Jerusalém não esperou evangelizar toda a cidade para sair do seu território. A igreja americana não esperou evangelizar todo o país para enviar Simonton ao Brasil. O testemunho de Jesus é para ser dado pela igreja simultaneamente no Brasil e no mundo. Como não podemos estar em dois lugares ao mesmo tempo: damos testemunho de Jesus onde estamos e apoiamos aqueles que estão dando testemunho ou que vão dar em outros lugares. Portanto, toda igreja necessariamente precisa estar envolvida com o testemunho de Jesus até os confins da terra, ou seja, toda igreja precisa participar ativamente da obra missionária em todo o mundo, pois, esta é a visão e desejo de Jesus para ela. Damos graças a Deus pelo desejo da IPB de querer se envolver mais com missões.
Se pensarmos como Jesus, vamos entender que missões não é algo para um grupo da igreja, mas para todos os seus membros; não é uma programação da igreja, mas sua atividade diária; não é parte da vida igreja, mas sua vida, sua essência, sua totalidade, sua razão de existir no mundo. Cabe a nós, pastores e líderes passar para a igreja a visão missionária de Jesus para que ela pense e haja em termos mundiais e não locais. Em termos de mundo e não de cidade. Dentro dessa perspectiva, a pergunta que não quer calar é: O que a nossa igreja está fazendo efetivamente em relação a missões mundiais? Será que estou participando de alguma forma da evangelização do mundo? O que eu tenho feito para que o nome de Jesus seja pregado e conhecido em São Paulo, em Guiné-Bissau e em todos os cantos da terra? Será que tenho enxergado o mundo todo como o campo da minha atuação como testemunha de Jesus? Será que estamos dispostos a investir os nossos recursos e enviar os nossos filhos além das nossas fronteiras?

CONCLUSÃO:
Um casal de missionários estava se preparando para evangelizar um povo não alcançado das montanhas de um país africano. Após longa preparação e horas de caminhas para chegar às montanhas, logo se depararam com o líder da tribo que disse: “Por que vocês demoravam tanto a vir aqui para tirar o nosso povo das trevas?” Os missionários ficaram pensando: Nós não falamos para eles que viríamos aqui. Como aquele povo, muitos outros povos ao redor do mundo estão clamando para que alguém vá até eles a fim de libertá-los das trevas com a luz do evangelho de Cristo. Passa a Macedônia e ajuda-nos é clamor dos povos sem Cristo ainda hoje.  Por amor a Deus que nos salvou e por amor às pessoas sem Cristo, precisamos urgentemente fazer missões.
Aprendemos que Jesus deixou os recursos necessários para que sua igreja faça missões. Ele deixou o Espírito Santo que nos enche com o seu poder e opera eficazmente no coração dos nossos ouvintes. Ele nos deixou aqui como suas testemunhas a fim de que usemos a nossa vida, os nossos dons e recursos para mostrar o seu amor ao mundo. Ele nos deixou a sua visão missionária, isto é, ele nos deu o mundo como o nosso campo de atuação missionária. Façamos, então, o que nos cabe na obra missionária: pregar onde estamos com o auxílio do Espírito Santo e apoiar em oração e financeiramente quem está dando testemunho de Jesus onde não podemos estar. Lembre-se de uma coisa: Deus nos dá um grande desafio: a evangelização do mundo, mas também no dá um grande poder: Seu Espírito Santo. Portanto, temos tudo que precisamos para fazer missões, isto é, para cumprirmos o ide de Jesus. Que Deus nos ajude. Amém.

Rev.Paulo Serafim de Souza
Missionário da APMT
Guiné-Bissau,África Ocidental. 


Entrevista com Missionário Gessé Rios


O Reverendo Gessé Rios é pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil servindo como missionário da Agência Presbitriana de Missões Transculturais (APMT), atualmente coordenador do projeto C-Step em Cape Town, África do Sul. Formação acadêmica: Especialização em Teologia Pastoral com ênfase em Missiologia pelo Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper. Bacharel em Teologia pelo Seminário Prersbiteriano do Norte (SPN -Recife, PE) e Licenciatura Plena em Educação Religiosa pelo Seminário Teológico Evangélico do Nordeste (STEN - Recife, PE).

Qual sua teologia sobre missões?


A pergunta requer um tratado como resposta. Minha Teologia de Missão é focada no Deus da missão, o Deus que comissiona. Em outras palavras, a missão não é nossa é de Deus. Ele é o idealizador e executor da missão. Como na criação, somos Seus parceiros, Seus administradores, na linguagem bíblica, mordomos dos interesses e recursos de Deus. Por isso não podemos limitar a missão à simples definição proselitista "levar alguém a Jesus". Isso é parte da missão mas não encerra a missão. Missão no contexto bíblico é algo bem maior. É o fazer discípulos de Cristo que por sua vez também farão outros discípulos. Implica em expandir o Reino de Deus para todas as esferas da vida visando o resgate de toda a natureza caída, que geme aguardando com expectativa o dia da redenção, conforme nos ensina o apóstolo Paulo (Rm. 8:22-23).

Como você descreve a relação entre:

a)     Missão e o choque Cultural - O choque cultural é resultado da nossa condição caída. A queda nos trouxe limitatções em todas áreas da vida. Assim, perdemos também a capacidade de nos comunicar de maneira plena. Ficamos todos condicionados pelos códigos e valores culturais que nos diferenciam como povos e sociedades. A comunicação intercultural ou transcultural, portanto, se torna prejudicada e, conseqüentemente, nossa habilidade de vivenciar o Reino entre outros povos. Logo, o choque cultural é uma realidade que necessita ser enfrentada, se queremos de fato ser cooperadores de Deus no Seu plano redentivo. 
b)     Missão e Finanças - Nossa compreensão é de que tudo pertence a Deus. Assim como os dons, os bens que recebemos dEle não são nossos. São Seus, e os recebemos para administrar em prol do Seu Reino. Somos apenas mordomos. Logo, nossas finanças devem estar à disposição da proclamação do Seu Reino. Devo dizer que finanças é apenas um componente do qual Deus se serve para a execução da Sua missão.
c)     Missão e Parcerias - Lausanne III Cape Town 2010 pontuou de forma precisa a necessidade da igreja (corpo de Cristo) dar as mãos para que o Reino continue avançando. Para mim, parceria não deve ser vista como mera estratégia na missão, mas como forma pragmática da manifestação de unidade pela qual Jesus orou em João 17. Ela é vital "para que o mundo creia". Missão sem parceria é mero proselitismo sectarista.
d)     Missão e Ação Social - O papel da igreja continua sendo o de testemunhar para o mundo acerca do reino de amor, que resgata o perdido, ensina e corrige o errante, ampara e levanta o caído, alenta o abatido, liberta o preso, cura o ferido... para que seja na terra assim como é no céu. A missão não é ação social, mas não é possível haver missão de Deus no meio dos homens sem que essas facetas da vida sejam tocadas como manifestação do Reino de Cristo presente aqui e agora. A mera ação social o estado ou ONGs podem fazer, mas são incapazes de causar a transformação que somente o Espírito de Deus pode causar. E a Igreja é o agente de Deus nessa ação.
e)     Missão e Igreja Africana - Refiro-me novamente ao Lausanne III Cape Town 2010 que enfatizou o crescimento da igreja africana e sua importância na missiologia contemporânea. Irmãos africanos estão testemunhado do amor de Deus em diversas partes do mundo. Ainda que a maioria não o faça como missionários convencionalmente enviados por uma igreja, são comissionados por Deus a representarem Seu Reino em países onde o testemunho do evangelho outrora floresceu e hoje estagnou ou desapareceu. Muitos deles, chamados migrantes econômicos, por onde andam levam a mensagem da fé até mesmo em países árabes. É importante notar que vivemos uma nova perspectiva missiológica bem colocada Luiz Longuini Neto em seu lovro "O Novo Rosto da Missão", Ed. Ultimato. Ele observa que já não existem mais países enviadores e países recebedores. Todos enviam e todos recebem. Tem sido isso uma estratégia da igreja? Creio que não. Mas é estratégia de Deus Ele está movendo as peças no quebra-cabeça da história dos povos porque é soberano na missão. Se no passado Ele se serviu de uma igreja social e politicamente influente e economicamente rica e poderosa, na presente geração soberanamente decidiu usar sua igreja dos países "sub desenvolvidos" e de países "em desenvolvimento" para testemunhar do Seu reino. Afinal, não escolheu Ele também o fraco e o que nada é para envergonhar o forte...? (I Cor. 1:27).
f)      Missão e Treinamento - Esse tema é de vital importância. Pois conquanto Deus, em Sua soberania, usa o fraco e o que nada é para confundir os fortes, também conclama que utilizemos tudo a nosso dispor para melhor desempenho do testemunho. O "fazer a obra do Senhor relaxadamente" implica em não fazer boa mordomia dos recursos por Ele disponibilizados. Treinamento é chave nesse processo. Muitos erros podem ser evitados com o simples fato de não nos submetermos a um treinamento adequado. Este princípio não se aplica apenas ao treinamento bíblico, aplica-se também, ao treinamento eficaz em qualquer outra área vocacional. Vocação não se limita ao chamado para a pregação da Palavra, mas também ao chamado para a medicina, para a docência, para a administração, para as artes, etc. Na vida do crentes essas vocações ou esses "chamados" são tão santos quanto à vocação ao ministério da Palavra. "Não existe capacidade, indústria ou aptidão que não se deva reconhecer como proveniente de Deus" (João Calvino, Comentário a Mt. 25:15).
g)     Missão e batalha Espiritual - O reino tem um inimigo e precisamos estar cientes dessa realidade todos os dias. Com isso quero dizer que a luta espiritual é uma constante. No ambito da missão é ainda mais intensa. Não há como negar sua infiltração no ato da semeadora. Não há como semear o trigo sem que o joio apareça no meio. Por esta razão, a vigilância em oração deve ser igualmente constante a fim de que não sejamos enganados pelo inimigo do Reino de Deus e seus valores. Esse é seu papel do inimigo de nossas almas - enganar. Portanto, ignorar sua realidade é o mesmo que “baixar a guarda” numa luta de boxe.
h)     Missão e o Movimento Pentecostal e Carismático - Como pensadores de linha reformada, estamos certos da saúde de nossa orientação teológica. No entanto, precisamos ter cuidado para não cairmos no pecado da soberba ou senso de superioridade. Cabe somente a Deus separar o joio do trigo. Não podemos esquecer que Deus, em Sua soberania, usa a quem quer. Isto não quer dizer, porém, que o fato de estar sendo usado/a autentica ministério de quem quer que seja. E nesse sentido, embora não os referendamos por causa de sua teologia equivocada, temos que admitir que movimentos carismáticos ou chamados pentecostais têm sido usados pelo Senhor para manifestar o Seu reino na terra. Uma coisa é ser usado por Deus (Deus usa até pedras), outra coisa é ser aprovado por Deus.
i)        Missão e a Globalização – Vivemos num mundo globalizado, Deus é globalizado. Deus não é limita por nada. Desde o início o propósito salvífico de Deus é O MUNDO TODO. IAWEH não é um Deus local, nacional, etc. É Deus de todos os povos e seu reino é para todas as etnias, todas as línguas, todos os povos. Creio que é o suficiente para ilustrar a natureza global da missão de Deus.

Qual sua estratégia em Missões?

Minha estratégia é: "fazer-me de tudo para com todos com o fim de alcançar alguns", sem jamais me envergonhar do evangelho, tendo em vista que "é poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê". 

Qual a sua visão sobre Missionários de curto termo e fazedores de tenda?

Quanto à "missão de curto termo" entendo ser uma estratégia cada vez mais importante num mundo onde tudo é muito rápido. Ela é importante a fim de maximizar a proclamação. Em relação ao "fazedor de tendas" sua longa história de eficácia, encabeçada pelo apóstolo Paulo, nos diz tudo. Nos dias de hoje, num mundo dirigido pelo mercado, tal estratégia vem se tornando ainda mais importante e até mesmo necessária para a eficaz manifestação do Reino em certos contextos. Profissionais dos mais diversos ramos da atividade humana são bem-vindos. Hoje há uma procura cada vez maior por empresários, gente do mundo dos negócios, que possam contribuir com a geração de emprogo e o desenvolvimento humana. É a hora e a vez de empresários cristãos comprometidos com a missão proclamadora dedicarem sua vida e habilidades para manifestar o Reino de Deus por meio de sua vida e ações, em contextos onde um "missionário de carreira" não pode entrar.

Que o Senhor lhe aqueça o coração e lhe aumente a visão!

Fonte: http://www.c-step.blogspot.com/